Sair das Dívidas: Capítulo 1, O tamanho real do problema

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Amostra gratuita de Sair das Dívidas, Editora Alcance Objetivos. Capítulo 1 completo, reproduzido do livro.

Há uma pergunta que quase ninguém endividado consegue responder de imediato, e ela é a mais simples de todas: quanto você deve? Não é falta de inteligência nem de disciplina. É que a dívida, quando passa de um certo ponto, deixa de ser um número e vira um clima. Ela está no jeito de olhar o celular quando toca de um número desconhecido, na pausa antes de abrir o aplicativo do banco, na conta feita de cabeça no supermercado e abandonada no meio. O número em si, aquele que caberia numa linha, some debaixo de tudo isso.

Este capítulo existe para trazer o número de volta.

Comece por notar uma coisa estranha que acontece com quem está devendo há algum tempo: a dívida cresce em duas velocidades diferentes. A primeira é a dos juros, que é real e pode ser calculada. A segunda é a da imaginação, que não obedece a nenhuma taxa. Quem evita olhar a fatura por três meses não sabe se ela cresceu trinta ou trezentos por cento, e a dúvida, sem resposta, tende a assumir o pior. Por isso tanta gente relata a mesma sensação ao finalmente somar tudo: alívio. Não porque o valor seja pequeno, mas porque é um valor. Tem começo e fim. Pode ser dividido, atacado, negociado. O medo não pode.

O contrário também acontece, e é mais perigoso. Há quem conte apenas a dívida que dói, normalmente a do cartão, e esqueça o crediário da loja, o empréstimo que o cunhado avalizou, as três contas de luz atrasadas, o parcelamento do celular. Cada uma parece pequena. Somadas, elas são o motivo pelo qual o acordo do cartão, feito com tanto esforço, quebra no segundo mês: a parcela combinada não cabia, porque o resto do quadro nunca foi olhado.

A única cura para as duas distorções é a mesma: uma folha de papel, ou uma tela, com todas as dívidas na mesma lista. Não uma planilha sofisticada. Cinco colunas bastam, e é exatamente isso que você vai montar no fim deste capítulo.

As cinco colunas

A primeira coluna é o credor: a quem você deve. Escreva o nome como aparece na cobrança, porque é assim que ele vai aparecer na negociação. Uma dívida de cartão vendida para uma empresa de recuperação de crédito muda de dono, e o nome novo importa.

A segunda é o saldo devedor atualizado: quanto estão cobrando hoje, com juros e multa, não o valor original da compra ou do empréstimo. Aqui mora a primeira surpresa de muita gente, e vale enfrentá-la agora, com o número real na frente, do que descobri-la no meio de uma ligação.

A terceira é a taxa de juros ao mês. Ela está na fatura, no contrato ou no aplicativo, e o capítulo seguinte mostra onde procurar em cada caso. Se não encontrar, deixe em branco por enquanto e volte depois. Essa coluna é a que vai decidir a ordem de ataque na Parte 2, então não a preencha com um chute.

A quarta é a parcela, ou o pagamento mínimo, que você está pagando ou deveria pagar por mês. É a soma desta coluna que vai dizer quanto da sua renda já tem dono antes de o mês começar.

A quinta é a situação: em dia, atrasada, negativada ou em cobrança judicial. Ela muda a urgência e, mais adiante, a estratégia de negociação, porque uma dívida negativada há dois anos e uma parcela que venceu ontem não se negociam do mesmo jeito.

Credor, saldo, juros, parcela, situação. Nada mais por enquanto. A tentação de acrescentar colunas, cores e gráficos é grande, e costuma ser uma forma elegante de adiar o preenchimento.

Um exemplo com números de verdade

Imagine uma pessoa com renda líquida de três mil e duzentos reais. Ela tem uma fatura de cartão que ficou no rotativo com saldo de quatro mil e oitocentos reais, a doze por cento ao mês, cujo mínimo está em duzentos e oitenta reais. Tem também um crediário de loja de dois mil reais, a quatro por cento ao mês, com parcela de cento e cinquenta reais, e um empréstimo pessoal de seis mil reais, a três e meio por cento ao mês, com parcela de trezentos e vinte reais.

Antes de listar, ela dizia que devia “uns dez mil”. Na folha, deve doze mil e oitocentos. A diferença de quase três mil reais era o crediário, que ela não contava como dívida porque “é só uma parcela”. As parcelas somadas dão setecentos e cinquenta reais por mês, vinte e três por cento da renda. Ainda não é o pior cenário, e o capítulo 3 explica o que essa faixa significa. Mas repare no que a folha revelou antes de qualquer conta sofisticada: a dívida mais cara não é a maior. O cartão, com quatro mil e oitocentos, custa doze por cento ao mês; o empréstimo, com seis mil, custa três e meio. Sem a coluna dos juros, ela atacaria o empréstimo primeiro, por ser o maior, e pagaria caro por isso. Com a coluna, a ordem salta aos olhos.

Esse é o ganho da primeira etapa: não resolve nada sozinha, mas impede os erros que custam mais.

O que fazer com o que você sentir

Preencher a folha costuma provocar duas reações, e vale saber de antemão. A primeira é vergonha, principalmente na coluna do saldo atualizado, quando o número passa muito do valor original. Ela é compreensível e inútil ao mesmo tempo: nenhuma parcela foi paga com vergonha até hoje. A segunda é a vontade de resolver tudo naquela mesma noite, ligando para todos os credores de uma vez. Resista. Você ainda não sabe quanto cabe no seu bolso, e essa é a informação que o atendente mais quer que você não tenha.

A folha não é um julgamento. É um mapa. E mapa serve para escolher o caminho, o que é assunto dos próximos capítulos.

O passo de hoje

Monte a sua lista com as cinco colunas, mesmo que fique incompleta. Use um caderno, uma nota no celular ou o diagnóstico financeiro gratuito do site, que já vem com essas colunas e soma tudo na hora, sem enviar nenhum dado seu para lugar nenhum. Se faltar a taxa de juros de algum contrato, deixe em branco: o próximo capítulo mostra onde encontrá-la. O que importa hoje é que, pela primeira vez, todas as suas dívidas estejam no mesmo lugar, com um total no fim. Anote esse total. Ele vai diminuir.

O livro continua por mais doze capítulos, cada um com um passo para fazer no mesmo dia: priorizar as dívidas, negociar com o credor e proteger o orçamento para não voltar ao aperto.

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Editora Alcance ObjetivosEducação financeira para quem quer sair das dívidas e reorganizar a vida. Não vendemos crédito nem recomendamos investimentos.Cada página informa as fontes, o método de apuração e a data da última revisão.

Conteúdo educativo. Os resultados dependem de cada pessoa e não há garantia de ganho.